Thursday, November 27, 2008

De Volta ao Futuro

Quando começamos jogar o Futebol de Mesa aqui nos Hamptons, conjunto de pequenas cidades localizadas, ao sudeste de Long Island, New York, USA – para quem desejar nos localizar no mapa, Southampton – somente haviam dois times de “brinquedo” mas logo, logo, pesquisando na internet descobrimos diversos fabricantes no Brasil e iniciamos a importação de material e times. Esperava com ansiedade os botões que pareciam lindos e eficazes nas fotos mas que na realidade se apresentaram uma grande decepção. Insistindo nas pesquisas, felizmente descobrimos o FuteboldeMesaNews.com.br e por conseguinte o Edu Botões. Por nossa influencia, todos os que realmente se interessaram de inicio, adquiriram com ele, Edu, os botões com a mesma padronização de tamanho e etc... pois acreditava que assim os técnicos se nivelariam aumentando a qualidade dos jogos.

Acertei quanto à qualidade dos botões e continuo a recomendá-los dentro do padrão que, com minha experiencia, acredito serem os melhores e aqueles que com eles jogam, pouco a pouco, com treinamento, disciplina e participação, não decepcionaram fazendo belas partidas e gols cada vez mais difíceis. Hoje temos times com as camisas do Santa Cruz, Fluminense (dois técnicos), Benfica, Botafogo, Palmeiras, América Mineiro e outros a caminho. Difícil descrever a alegria quando recebi meu time do Botafogo com as exatas cores que escolhi, angulações etc.. e também, com eles, consegui bons resultados e alegrias embora à época que com eles jogava, as mesas que construímos e que foram nosso orgulho não se adaptaram e daí, pensávamos que eram os botões e lhes fizemos algumas alterações, sem resultado.

Pesquisando e trabalhando para encontrar soluções, finalmente temos hoje, os campos que acredito, fariam inveja a quaisquer clubes no Brasil, assim como a adaptação nas bolas e, indo mais além, a adaptação da regra 12 toques para atender à dinâmica com que realizamos nossos jogos (confira nossos vídeos clicando no logo no rodapé do nosso blog).

Mas, ... ha sempre um mas ... em verdade nunca consegui me adaptar aos novos botões, respeito a tecnologia, aprecio o lindo design e principalmente o fato de todos os botões destes times deste novo século serem exatamente iguais, permitem que o técnico use quaisquer um em situações de ataque ou defesa com a mesma precisão. Como já relatei em outras colunas, lá antigamente, no meu tempo, todos tínhamos times onde raramente haviam dois botões exatamente iguais e mais ainda, no meu caso eram botões de coco misturados com outros de galalite e fichas de ônibus, portanto, diversos tamanhos, alturas, ângulos de bainha e, naturalmente, peso que interfere fundamentalmente no desempenho técnico.

O meu time atual, todos de casca de coco “importados” da Bahia e carinhosamente por mim confeccionados usando os modernos recursos de ferramentas facilmente disponíveis aqui neste pais que se intitula primeiro mundo, todos os meus pupilos têm, em conseqüência, pesos, alturas e angulações diferentes mas como foi com botões similares que joguei anos e anos somente me sinto à vontade com eles, fazendo jogadas que dão alegria e impressionam a quem assiste, entretanto, à exceção de gols para os quais é sempre necessário determinados botões para cada situação e ainda, cada um necessita de pressão e angulação de palheta especifica e embora sejam quase sempre um colírio, enfrentar quem pode chutar sempre com da mesma maneira, a desvantagem é enorme.

Então, pensei e tentei experimentar voltar para o futuro usando meus botões de fábrica, iguais aos demais aqui existentes nivelando as chances nos chutes a gol. Não deu certo, eles não me obedecem, não conseguem fazer as mesmas jogadas, lances em profundidade, o toque sutil, as bolas de efeito, as recuperações seguras mesmo dentro da área, as viradas e passes precisos. Tenho tudo o que preciso, o time dos meus sonhos, nos entendemos perfeitamente e não desperdiçamos nenhuma jogada mas o gol ... o gol eles insistem que não gostam de chutar por chutar, fazer gols somente para vencer, e quem deve chutar em gol são os atacantes e nem sempre eles estão em boa posição ou estão marcados com rigor pois alguns adversários já perceberam o nosso ponto fraco.

Apos muita reflexão, ponderando os pros e contras, decidimos não voltar ao futuro, permanecer fiel aos bons tempos do passado e não se aviltar com o presente que não nos pertence.

Em breve, anunciaremos no blog o nosso futuro, futuro que eu, técnico, e meus inseparáveis jogadores de coco tomaremos.

Tuesday, May 6, 2008

Um Gol para não esquecer

Existe jogo mais sem graça do que este que ai no Brasil chamam de “totó” e aqui os americanos chamam erradamente de Table Soccer. A tradução literal é Futebol de Mesa e essa é nossa área. ... é! … os aficionados giram a manivela e empurram a bola de pingue-pongue para o buraco chamado gol, aí o outro faz a mesma coisa com o outro lado tentando impedir a bola de passar, girando e empurrando a manivela com violência para no fim alguém vencer pelo rotineiro placar de 26 a 25 ou 39 a 35.

Sem querer desmerecer este jogo, eu entendo que cada qual têm sua mania mas, por favor, não comparem este brinquedo de bar de sinuca com o Futebol de Mesa e mais, aqueles que vieram do “totó” para o Futebol de Mesa, bem-vindos entretanto, por favor, adaptem-se porque nós somos um esporte, não simplesmente um jogo das horas vagas.

Nós, os chamados, merecidamente Botonistas, somos aqueles que semeiam, cultivam regando e colhem resultados bonitos como as jogadas trabalhadas, os passes precisos, os efeitos, os toques delicados recuperando uma bola perdida, os lançamentos em profundidade, as tabelinhas, o cuidado com a distribuição tática dos botões no campo, o lustre constante nos “pupilos”, a disciplina no aprendizado das regras e por fim, o gol bonito, resultado de uma boa semente.

Veja vídeos: www.youtube.com/nytablesoccer

Somos o que somos, copiadores do Futebol do Campo de Grama, acredito que seja impossível se apaixonar pelos Botões sem gostar de futebol, usamos as mãos, mas penso que temos de imitar o melhor possível aqueles que usam os pés e, principalmente aqueles que tratam a bola de couro com arte assim poderemos tratar a bola de feltro com o mesmo carinho.

Entendo que em torneios ou campeonatos onde a tensão aflora em razão de que a perda de um jogo ou pontos, pode significar a desclassificação de seguir adiante em busca do título, dai, qualquer chute após a linha divisória é válido pois, estatisticamente, quem mais chuta a gol maior a possibilidade de conseguir o objetivo que é colocar a bolinha lá dentro.

Nestas condições especiais, dificilmente haverá placares do tipo ”totó” e assim a atual regra dá chances aos menos experientes. Mas em jogos amistosos eu, que já criei e institui a linha de impedimento – foto - e até agora tenho tido a aprovação dos companheiros acabando assim, definitivamente creio eu, com as discussões em torno do problema impedimento, gostaria de ir mais além, convidar a quem se considera Botonista a testar em jogos amistosos chutes a gol somente após a bola cruzar esta linha, pois creio que assim aqueles que já possuem alguma experiencia teriam que se esmerar em desenvolver sua arte tocando a bola até próximo ao gol e ai sim, conseguir um gol que seja, mas que vai lhe dar o que pensar e guardar na memória aquele lance bonito, conseqüência de um trabalho, esforço e dedicação só comparado ao Futebol de Verdade.

Atirem as Pedras

Sensacional eu diria, pois não encontro outro termo. Já a alguns anos venho lutando comigo mesmo, uma luta íntima de: ser ou não ser, ou melhor, estar ou não estar certo.

Neste mundo onde cada ser é completamente diferente um do outro, onde cada um luta em manter suas opiniões e paixões, sem abrir mão de suas vontades e caprichos por orgulho ou por se achar o dono imperioso da verdade, sem ouvir ou considerar a opinião do próximo, nem mesmo por curiosidade da experiência é que, por muito tempo mantive, no Futebol de Mesa, meus pensamentos e idéias trancadas na caixinha junto com os meus inseparáveis times de botões de coco.

Agora que, por acidente e ajuda do alto, descobri essa janela para o mundo que se chama BLOG, mesmo que ninguém olhe para dentro da minha janela http://nytablesoccer.blogspot.com, eu continuarei escrevendo, expondo para quem quiser me julgar, minhas experiências neste mundo plano, de madeira e pintado de verde onde rola uma bolinha cabeluda, vinte e dois jogadores e dois técnicos com as mais variadas ações, reações e emoções.

Já escrevi em uma de minhas loucuras, chamadas colunas, um trecho em – Jogando Botões III – onde dei vazão ao meu incômodo de ver possíveis e interessados candidatos a técnicos de futebol de botões, guardarem humilhados suas caixinhas no fundo de uma gaveta esquecida. Se você é pai e vai jogar bola com o filho que têm as pernas menores do que a bola, você não lhe dá um drible que o faz cair sentado, não lhe chuta a bola em cima para não machucá-lo, você sim, deixa que ele sinta o gosto de chutar, você finge deixar a bola passar por entre suas pernas e feliz, grita: Goooool do Júnior…

Então, você que já passou por tantas emoções, porque não, então, “ajeitar” seu jeito de jogar e ver seu amigo “babar” de felicidade, desenvolver sua habilidade, de se apaixonar pelo esporte e, crescendo, se tornar um técnico com experiência para que você possa enfrentá-lo de igual para igual e ai sim, você também poderá “babar” e gritar em sua vitória, vitória sobre alguém que também sabe jogar.

Se me permitem, gostaria de enfatizar este pensamento lembrando como me iniciei ou melhor, como me iniciaram na difícil arte do jogo de xadrez. Um saudoso amigo, amigo de meu também saudoso pai, me convidou um dia para jogar xadrez em sua residência, eu que já tinha assistido a algumas partidas, achava interessante, conhecia as regras básicas mas não tinha nenhuma prática. O amigo de meu melhor amigo, que mais tarde viria prefaciar meu primeiro livro, explicou-me algumas táticas e começamos a jogar. Ele, além de muito inteligente, tinha experiência em pequenos torneios de fim de semana, além de estudar e praticar jogadas sozinho.

Sentados frente à frente e na maior concentração, ele jogava enquanto eu mexia as peças, ele dizia: observe e aprenda e chegávamos ao fim, muita das vezes empatados e por vezes ele derrubava o rei dizendo que em algumas jogadas à frente ele não teria como conseguir o xeque-mate – muito mais tarde descobri a “mentira” incentivadora -. Muito jovem ainda e acreditando que jogava xadrez e ao invés de observar mais, estudar e treinar me arrisquei em um torneio e fui eliminado no terceiro movimento do primeiro jogo.

Em resumo e voltando ao nosso tabuleiro verde onde as peças são os nossos botões, eu coloco a pergunta se eu teria continuado amante do xadrez se o meu amigo, experiente que era, logo de início tivesse me arrasado com inúmeros xeque-mates seguidos, fazendo me crer que eu nunca conseguiria ganhar dele ou de ninguém.

Dentro desta filosofia de que devemos ser cuidadosos e pacientes com àqueles com menor experiência incentivando-os e permitindo que eles também joguem, eu tive um prazer ímpar quando na em uma quarta-feira congelante (19/12/07) à noite em nosso clubinho foram realizados três jogos amistosos sem nenhuma pretensão de conquista e eu, que havia premeditadamente, reduzido o tamanho do meu goleiro, torcia para que acreditassem e levassem na brincadeira a estória que eu criara sobre o goleiro frangueiro do meu Botafogo.

É claro que perceberam mas esta coluna visa lavar a minha alma pois o objetivo foi alcançado, fizeram gols, ganharam, vibraram, brincaram, relaxaram e um deles, desaparecido do campo por muitos meses, comentou com o sotaque mineiro: ¾ é muito bom, é muito divertido… e eu acredito que posso afirmar: ¾ acho que com mais alguns truques e esse vai se apaixonar.

Se eu manchei o esporte, aqueles que espantam possíveis técnicos do Futebol de Mesa, que atirem as pedras.

Sunday, December 16, 2007

O Milagre no Futebol de Botões

by paulo h bosco

José Carlos não se sabe como, nasceu botonista, desde muito pequeno adorava brincar com os botões que sua mãe, costureira, armazenava em sua caixa de costura. Já no primeiro ano na escola pública ouvia de colegas que conheciam o Futebol de Botões, que os meninos das escolas particulares jogavam nos finais de semana.

Ele que morava no alto do morro, bem ao lado do campo do América, sempre que podia, se dependurava no barranco para assistir aos treinamentos daquele que é o mais simpático do Rio de Janeiro. Mais um dia em sua rotina, foi até lá pois não haveria aula e o dia estava lindo, morno e agradável, mas para sua surpresa, até a pirambeira estava lotada, era um jogo treino do Flamengo … sabia-se lá por que cargas d’água eles estavam treinando lá. Todo mundo queria assistir ao mais querido, ver os craques de perto, foi então que um garoto, bem vestido até, e que deveria estar lá dependurado por não ter conseguido ingresso, gritou: (após o Zico dar um baile na defesa e perder o gol) … _ O Zico …. Oooo Ziiicooo … essa nem meus botões de defesa perderiam … foi ai que o Zé, sempre tímido, arriscou a pergunta:
Você joga botão? _ Claro! E você? _ Ah! Eu também! _ Qual o seu time? _ Botafogo _ E o seu? _ Flamengo, claro … Olha! Você poderia ir lá em casa para jogarmos um clássico. _ Éééé … eu gostaria muito mas meu time, sabe, está em treinamento na casa de um primo meu. _ E é longe? _ Muito longe, não da pra buscar. Mentiu sem graça e já arrependido, pois não fazia parte de sua educação a mentira, fosse qual fosse.

_ Então eu posso lhe emprestar um dos meus times, você joga com os meus reservas e fazemos um jogo treino até que o seu primo lhe devolva o seu Botafogo. _ Esta combinado então.

Zé Carlos viveu naqueles dias que antecederam a visita à casa do novo amigo, um misto de ansiedade, curiosidade, medo e ao mesmo tempo o remorso da mentira. Chegou o dia, chovia aquela garoa enjoada e bem típica do inverno carioca. Chegando à casa, se benzeu e tocou a campainha, atendeu à porta um senhor de cabelos grisalhos e cachimbo na mão.

_ Pois não? _ Meu nome é José Carlos, me chamam OiZé e fui convidado pelo Augusto para um jogo treino, … ele esta? _ Estou, mas não me lembro! Brincou impressionado com a educação daquele menino simples que batia à sua porta e, diante de seu espanto, logo esclareceu:

_ Não me leve a mal, também me chamo Augusto e o Augustinho esta lá no quarto de brinquedos esperando por você … bemvindo à nossa casa e boa sorte, você vai precisar porque meu filho é muito bom neste jogo… Mas apenas me esclareça a curiosidade, porque “OiZé”? _ Ah! É assim, todo mundo que passa por mim diz: Oi Zé! E assim ficou OiZé….

OiZé, diante daquela mesa verdinha e vários times coloridos e perfeitamente organizados em uma prateleira, não conseguia expressar seu espanto e entusiasmo, estava sonhando acordado.

_ Olha OiZé, você terá que esperar para o nosso jogo treino, um amigo lá da minha escola virá hoje para jogar um clássico muito importante comigo e ele deve estar chegando. Quando o jogo terminar, tomamos um lanche e depois faremos o nosso treinamento.

Salvo pelo gongo, pensou OiZé, assim ele poderia observar e ver na prática como em verdade era o jogo e as regras de que tanto ouvira falar nas conversas com os colegas de escola. O clássico era o Fla-Flu, começou com forte disposição de ambos. OiZé parecia estar se preparando para um exame de final de ano, tamanha a sua concentração, seus olhos não perdiam um só movimento, seus ouvidos uma só palavra e ficou impressionado com a vitória do dono da casa por 3 a 1 que demonstrava segurança em sua habilidade, parecia feliz e relaxado.

Saborearam o lanche servido pela empregada da casa, “Seu” Augusto, dava umas cachimbadas e observava de longe e com prazer aquele menino mirrado e simpático, de roupas surradas, mas muito limpas e passadas a ferro, unhas e cabelos aparados; era bem pobre com certeza, mas muito bem educado, à mesa e ao se dirigir às pessoas. Ótima companhia para seu filho, pensava.

O momento chegou …Este é um jogo treino para observação técnica comentava Augustinho, e OiZé se esmerava atrapalhado com a palheta, quando esta escapulia de seus dedos ou o botão não saia do lugar …_ desculpe, é falta de treino _ O Flamengo se prepara para o grande clássico contra o Botafogo. Augustinho, empolgado por ter conseguido alguém com quem poderia treinar e jogar. Por sua vez, “Seu” Augusto que sempre se mantinha à distância, tanto para não interferir quanto para deixar o novo amiguinho de seu filho à vontade, ao fim do jogo, ou melhor, do treino, se aproximou e notando a visível falta de experiência do convidado, perguntou: _ Ah! OiZé! Qual o seu time? _ Botafogo! _ E por que você não o trouxe? Augustinho se apressou em responder, não notando o rosto imediatamente vermelho de OiZé o que não passou despercebido pelo pai, que logo desconversou evitando embaraço maior. _ Volte sempre que desejar, a casa é sua. _ Obrigado, desculpe qualquer coisa, e lá foi OiZé subindo o morro, flutuando em seus sonhos _ Puxa! Quase fiz um gol.

O tempo passa, os jogos treinos continuam e a desculpa para o time não aparecer, fica cada vez mais dificil. Seu pai é ferroviário, gostaria de realizar os sonhos do filho amado, além de recompensá-lo por ser estudante aplicado, mas a vida dura não da direito a sonhos materiais. Era dezembro, a data difícil se aproximava, José Carlos nunca lhe pedira nada e não acreditava, assim como os demais meninos do morro, em papai noel; mas quando Zezinho lhe trouxe o boletim que demonstrava, mais uma vez, que tinha passado de ano com boas notas, arriscou a pergunta: _ Meu filho, o que você gostaria de ganhar neste Natal? _ Esperou a resposta com a mão gelada e ela veio sem rodeios: _ Um jogo de botões de madrepérola nas cores do Botafogo.

Foi um alivio para quem imaginava uma bicicleta, assim, dia seguinte começou a se inteirar sobre o que era um jogo de botões. Conseguindo o endereço de uma fábrica, foi até lá decidido a fazer feliz o natal do filho, mas, para sua surpresa aquelas bolachas redondas, mais a tal da palheta, goleiro, balizas, bolas e etc., tinham o preço de uma bicicleta. Nunca mentira ao filho e não seria daquela vez, chegou em casa e disse: _ Filho, o presente que você pediu e merece muito, esta acima de nossas condições no momento e espero que você compreenda. Reze ao todo poderoso que nos de saúde e não nos falte trabalho pois assim que for possível, eu lhe compro seu jogo e lembre-se, Jesus proteje sempre bons meninos como você.

O nosso botonista nato não ficou triste, compreendia a situação, mas tinha um problema, sua primeira mentira na vida tinha se tornado um pesadelo, falasse a verdade ao seu novo amigo, certamente não seria mais convidado a jogar o que seria uma perda muito grande em sua vida sem diversão. O que faria então?

Caminhava sem rumo e, passando por uma igreja, entrou, aproximou-se de um grupo de senhoras que estudavam o evangelho, pediu licença e perguntou:
_ As senhoras poderiam me ensinar como faço para fazer um pedido a Jesus?
Eu não sei rezar muito bem e nunca encontro as palavras certas e bonitas para me dirigir a Ele. _ Ora meu filho,- respondeu uma delas – simplesmente fale com Ele, Ele é todo ouvidos, principalmente com as crianças.

José Carlos se animou e resolveu fazer sua prece sentado em um banco da praça e em voz alta foi falando: "Jesus, sou eu. Olha, eu sei que não mereço porque eu contei aquela mentira pro me novo amigo, se você puder me perdoar, eu gostaria que você me conseguisse um time de botões, qualquer um e deixasse lá em casa. Jesus, você pega uma caneta que eu vou dizer onde fica" e, continuou: “você vai seguindo em frente e quando passar a ponte, você entra na segunda estradinha de terra. Não vá errar, tá?"

Os que estavam por perto achavam interessante aquele monólogo. Alguns, no entanto, mal podiam conter o riso. Mas ele, continuava: _ "Andando mais uns vinte minutinhos, tem uma vendinha. Pega a rua da mangueira que o barraquinho em que eu moro é o último da rua. Pode entrar, não tem cachorro. Olha, Jesus, a porta está trancada, mas a chave fica embaixo do capacho. O senhor pega a chave, entra e deixa o time na mesa. Mas, olha só Jesus, por favor não esqueça de deixar a chave de novo embaixo do capacho, senão eu não consigo entrar."

Terminada a oração, ele foi para casa. Ao entrar, sua mãe lhe disse: _ Deixaram uma caixa para você, tomei o maior susto, cheguei em casa mais cedo e vi que a porta estava aberta e alguém dentro de casa colocando uma caixa em cima da mesa, perguntei o que estava fazendo aqui e ele muito educado disse que era o pai de um amigo seu e estava trazendo uma encomenda, me entregou a chave pedindo que lhe informasse porque não a estava deixando debaixo do tapete.
_ Zé Carlos abriu o pacote e sorrindo disse: _ é o meu time de madrepérola, preto e branco, como eu sonhava.
_ Como é o nome deste senhor?
_ Ah! É Jesus e acho que ele também é botafoguense, acertou direitinho nas cores…



Aos botonistas, meus agradecimentos pela paciência em ler as minhas colunas e um Feliz Natal a todos, especial aos “pouca prática” daqui de cima, aos Colunistas, leitores e amigos do Futebol de Mesa News.

http://www.youtube.com/nytablesoccer

Goleiro Carlos Castilho

by paulo h bosco

Quase um ano de luta, de espera, de esperanças, de sonhos, de ansiedade, de trabalho de convencimento aos desmotivados e de paciência com aqueles que não dão nem uma bolinha de feltro para aqueles que só desejam alegria e alegrar.

O Sr. Eduardo, leia-se “Edu Botões”, em bate-papo através do “Skype”, nos encheu de alegria compromissando-se em trocar gratuitamente todos os times que aqui, nossos amigos “pouca prática” encomendaram e receberam times diferentes daqueles que têm feito sucesso nas mãos daqueles “muita prática”.

Recolhemos todos os times “diferentes” e por emissário especial ao Brasil, o nosso Bi-Campeão (Luiz Francisco), enviamos tudo inclusive, um botão de nosso time como modelo da perfeição, igual a maioria dos times que temos aqui, todos fabricados pelo Edu.

Mas quiz o nosso correio brasileiro, com faz rotineiramente, sabotar nossos planos e desparecer com tudo, deixando a cargo de nosso emissário a responsabilidade de todo o custo de reposição.

Assim, novamente foi enviado um botão, cercado de todas as garantias postais, para a confecção dos times perdidos. – sòmente esperamos que o funcionário que nos fez essa maldade, pelo menos, faça bom uso do botões – … Mas, voltando ao nosso drama, essa ducha fria, esfriou ainda mais nossos corações já congelados nessa terra de cegos do futebol. Ainda assim, apesar das idas e vindas de nosso emissário e a demora na solução desse problema, finalmente chegam os novos Fluminense (RJ) – camisa tricolor, Santa Cruz (PE) e América (MG, todos iguais aos já famosos que aqui já se encontram, Botafogo (RJ), Fluminense (RJ) – camisa branca, Benfica e Palmeiras.

E foi nessa expectativa do é hoje, é amanhã, que se passou o curtíssimo verão aqui no rabo leste da ilha longa do estado de Nova York (se desejar ver no mapa clique em Southampton – Long Island, NY) … e, foi aproveitado para a construção de uma nova mesa nas medidas ideais e com um estilo diferente e moderno com o patrocínio de um tricolor roxo, ou melhor, vinho-verde-branco, e projeto deste colunista, botafoguense que ainda resiste ao desânimo e vontade de pendurar a palheta.

Como toda a idéia nova, a falta de prática e uso de materiais inadequados complicaram o projeto. O resultado final não ficou de acordo com os nossos planos, no entanto, ficou registrada a experiencia, o que deu certo e o que deu errado.

Na fase de decoração, o patrocinador e dono do local sede do NY Table Soccer, o Carlão (Carlos Mattos), decidiu por justa homenagem, batizar o novo “Estádio” de Carlos Castilho e para a festa de inauguração, agora com três novos times, novinhos e folha e adequados às nossas condições (mesas), pensamos em um torneio reunindo os três novos times, além dos campeões Botafogo, Fluminense e Flamengo.

Tudo pronto … nova decepção, os Santa Cruz , América e Flamengo, nem mesmo ligaram avisando da ausência … Mas a festa está nos alegres corações dos apaixonados pelo Futebol de Mesa e o esforço não foi em vão. Carlão com o Tricolor e o Paulo com o AlvinEgro, fizeram a festa, o jogo inaugural e por essas coisas que só acontecem quando o Botafogo está envolvido, a partida se deu igual à inauguração do Engenhão no Rio de Janeiro.

Carlão, que patrocinou, fez o primeiro gol inaugurando e homenageando seu ídolo o Goleiro Cláudio Castilho (vide Vídeo) e o Paulo que projetou o aprovado campo, teve a alegria do registro da primeira vitória.
http://www.youtube.com/nytablesoccer
Felizes aqueles que têm a alegria no coração, foi muito bom, para mim foi especial, ficará guardado na minha coleção de jogos inesquecíveis e para o Carlão tenho a certeza de que a satisfação de possuir uma mesa onde poderá registrar muitos gols também ficará marcado para sempre aquele momento de quando a fantasia imitou a realidade … e, quanto ao Senhor Cláudio Castilho, de onde estiver, receba nossas homenagens singelas.

Sonhando Brasil

by paulo h bosco

Acredito que faz parte da índole do ser humano, sonhar e de ante mão gostar daquilo que ele não conhece. Posso garantir que muitos de nossos conterrâneos no Brasil sonham em viver nos Estados Unidos assim como posso garantir também que, depois de algum tempo e após conherecem as dificuldades de se viver em um país que não o nosso, passamos a achar que tudo é melhor em nosso país de origem. Está dentro de nós, nunca estamos satisfeitos com o que temos e assim queremos sempre mais e melhor.

Desde que descobrimos o FuteboldeMesaNews sonhávamos com os torneios, campeonatos e tudo aquilo que nos contam os diversos links existentes no site falando sobre as extraordinárias experiencias e aventuras em centenas de grupos de botonistas espalhados por esse Brasilzão de Deus.

Sempre achamos que nosso grupinho, que aqui desenvolveu seu próprio estilo, e em razão da dificuldade na comunicação entre as varias nacionalidades, adaptou as regras condensando, minimizando e simplificando para facilidade de tradução era o subnitrato do nada comparado com os grupos organizados no Brasil.

A cada dia crescia o desejo de saber como e de que forma jogam os nossos compatriotas, se soubéssemos tentaríamos copiá-los aproximando ao máximo os estilos, a interpretação das regras, as jogadas, os gols e tudo aquilo que sempre sonhamos…“lá deve ser o máximo”! Assim, eis que chega a oportunidade, e um de nossos campeões vai ao Brasil e se inscreve e participa do:
APROFUME-RJ III TORNEIO BENEFICENTE COPA SÃO JORGE

… No 12 Toques tivemos a participação de 13 atletas de 6 clubes (APROFUME, Flamengo, Hamptons Table Soccer (EUA), Olaria, Petropolitano e River), e o pódio foi formado por: …
Organizados que somos, preparamos uma linda camiseta com o logo do NY Table Soccer, cartões coloridos com nossos endereços, telefone, e-mail etc. …mas eis que a emoção e a ansiedade do nosso representante era muito grande e com tudo preparado, esqueceu o material promocional e como o torneio era muito longe de casa, não deu pra voltar.

Participou de três partidas, conseguiu arrancar um empate, mas agora o mais importante era o nosso “espião” contar o que tinha visto, afinal, como se deu a realização de tudo aquilo que ha tempos temos sonhado! … Estupefatos, ouvimos em silêncio profundo, silêncio como aquele que se “ouviu” em 1950 quando o Brasil sofreu o segundo gol na decisão. Estávamos aturdidos, boquiabertos, estáticos sem acreditar naquela narrativa detalhada e decepcionada … não era possível … onde então estavam os nossos heróis? Onde estavam aquelas jogadas maravilhosas, os gols impossíveis os técnicos com seus super botões? Onde estavam aquelas mesas incomparáveis e as formas estudadas de distribuição dos times em campo? Onde? Onde? Estavam esses botonistas fantásticos? …

Bem, o sonho se desfez. Mas, … Valeu? Valeu! … Valeu pela incomparável receptividade, amabilidade e espírito de cooperação dos nossos queridos irmãos, valeu pelo esforço, pela organização, pela dedicação desinteressada de poucos e a participação de muitos … valeu sim principalmente pela ação caritativa do evento mas se me permitem comparar o futebol de ontem e de hoje, o jogo de botões de ontem e de hoje, meus irmãos, me desculpem a franqueza, se desejarem conhecer a real “emoção” em um jogo de botões, não será necessário voltar ao passado, apenas, venham nos visitar pois somos pura vibração na forma como desenvolvemos nossa própria forma de jogar espelhadas nos craques do campo gramado ou seja, lançamentos em profundidade, passes longos de um lado a outro do campo, distribuição livre dos botões, quinze minutos em cada tempo, e outras muitas jogadas livres desenvolvidas pela imaginação de cada um, totalmente liberadas, livres das correntes existentes nas atuais regras.
Assim, continuaremos com as nossas próprias regras, simples, adaptadas das “doze toques”, das dezessete regras do futebol mundial e, principalmente, brindadas com muita imaginação.

A liga NY Table Soccer agradece sinceramente à APROFUME-RJ pela oportunidade.

Coisas que só acontecem com o Botafogo

by paulo h bosco

Dia desses, recebi um e-mail, devo dizer, “e-mail circular” do Sr. Renato lá das Alagoas, pedindo informações de como jogar o Futebol de Mesa. Já ia responder quando pensei: “Então, como é que se joga? Existe um manual de como jogar? Como segurar a palheta?”. Desisti de escrever, melhor, pensei que afinal, provavelmente muitos interessados possam estar na mesma situação do Sr. Renato mas não tiveram a humildade de perguntar.

Acho então que devo tentar fazer algo e farei, Sr. Renato de Maceió, farei um ensaio fotográfico com textos explicando da melhor maneira possível, a minha experiencia esperando que outros botonistas, possam ajuntar detalhes e informações ao trabalho que pretendo iniciar. Por enquanto então, peço apenas paciência e no meio tempo vamos papear sobre o assunto, sobre o Futebol de Mesa que é um ótimo remédio para a saúde mental sem nenhuma contra indicação.

Acredito seriamente que o mais importante em um jogo, seja lá amistoso ou torneio ou treino, o que realmente faz todo o sentido é sentir o clima, jogar com o coração, jogar toda a emoção em cima da mesa, fazer de seu time parte de sua vida, fazer dele um brinquedo querido para não perder nunca o nosso lado criança, infantil, inocente fazendo nosso coração saudável, mantendo sempre um espírito alegre nas vitórias ou nas derrotas.

Como a maioria desta nossa turma daqui desta nossa região congelada, também deixou que o frio, o céu sempre cinzento, o sistema de imigração nazista e a má vontade que paira nos corações americanos lhes corroesse a alma, sobrou apenas alguns muito poucos que mantém a chama da alegria inocente acesa e é com esses poucos que faço tudo o que posso para patrocinar uns joguinhos e torneios relâmpagos lá no meu estádio Nílton Santos, alçapão alvinegro.

Assim, nestes últimos dois meses, realizamos três torneios, regados a pizza, o primeiro foi lá na minha humilde varanda – fechada – com a temperatura abaixo de zero, o segundo lá na garagem sofisticada e climatizada de um bilionário com o patrocínio do gerente da propriedade, técnico do Benfica e agora o último, torneio primavera onde o meu Botafogo conseguiu o primeiro lugar, perdendo para o Fluminense invicto, porque:
“há certas coisas que só acontecem com o Botafogo”.

O técnico do Fluminense, bicho papão de quase todos os torneios, ganhou o segundo – o da garagem elegante – cujo o time é o mais viajado do mundo, pois seu técnico passa um mês no Brasil e um mês aqui nos USA e o leva pra lá e pra cá … mas, surpreendentemente perdeu o primeiro quando o herói foi o técnico do Santa Cruz jogando com o time reserva, reconhecidamente inadequado para as novas mesas. Mas então, hão de perguntar: Como? A resposta é simples, ele mantém acesa a chama, a chama da alegria de jogar, de ser feliz, de brincar com os amigos deixando longe, pelo menos naquelas horas, as agruras do dia dia… e aí perguntei: “poxa, você acaba de receber do Brasil um time sofisticado porque ainda não o trouxe para o campo?” Ele, calmo como sempre, respondeu que assistiria pela tv o jogão Botafogo e Vasco – não me convidou – e iria colocar seu time para assistir ao jogo, parte da preparação e treinamento para os futuros torneios.

Este é o espírito de que falo. Somente estes personagens poderão extrair o sumo da magia que é o jogo de botões.